quarta-feira, 11 de abril de 2012

Hotel

NPNB

...


Hoje o dia estava abafado e a luz cinzenta das nuvens entrava sem pressa no quarto desarrumado.
O cara olhava mais uma vez para o mesmo ponto imaginário na imensidão branca do céu.
E viajou de novo...

...

Não era só o quarto desarrumado.
A vida parecia estar virando uma bagunça também.
Nos últimos dias ele andava bem humorado sem motivo algum, como se alguma droga vinda de lugar nenhum o estivesse entorpecendo aos poucos e o anestesiando do mundo lá fora.
E quando se deu por conta lá estava ela: a bagunça imensa impondo-se de maneira inegável bem diante dos olhos dele.
Em algum momento ele teria que começar a arrumar as coisas uma a uma; o problema é que ele estava sem saco pra isso.
Sem saco pra bagunça; sem saco pra se mexer; sem saco pra nada.
E estava bem com isso.

...

Ele arrumou a cama com calma, tirou a louça suja perdida no criado mudo e embaixo da cama, jogou o lixo fora e abriu a porta e a janela para que o ar ventilasse.
Era um ar abafado, mas ainda assim o efeito foi instantâneo de algo ruim indo embora e deiando um espaço vazio para ser preenchido por alguma outra coisa.

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Estava bem com isso porque ultimamente andava de bem consigo.
Sempre lutara freneticamente contra si mesmo, em um duelo que envolvia consciência demasiada, paciência excessiva, perspectivas (e expectativas) falsamente realistas e muita vontade de mudança.
Desta vez, contudo, preferia deixar-se quieto e agir por si mesmo sem o auto julgamento que vinha acompanhando-o há tempos.

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Levantando-se da cama e ainda fitando o ponto imaginário ele respirou um pouco mais.
Mas ainda lhe faltava o ar que ele tanto queria respirar

...

Tudo muda.
Sempre.
Apenas abra os olhos e veja.
Se você ignorar a lagarta, nunca vai vê-la tornar-se a borboleta.

domingo, 8 de abril de 2012

Getting Better


"It's getting better all the time

I used to get mad at my school (No I can't complain)
The teachers who taught me weren't cool (No I can't complain)
You're holding me down (Oh), turning me round (Oh)
Filling me up with your rules (Foolish rules)

I've got to admit it's getting better (Better)
A little better all the time (It can't get more worse)
I have to admit it's getting better (Better)
It's getting better since you've been mine

Me used to be angry young man
Me hiding me head in the sand
You gave me the word, I finally heard
I'm doing the best that I can

I've got to admit it's getting better (Better)
A little better all the time (It can't get more worse)
I have to admit it's getting better (Better)
It's getting better since you've been mine
Getting so much better all the time
It's getting better all the time
Better, better, better
It's getting better all the time
Better, better, better

I used to be cruel to my woman
I beat her and kept her apart from the things that she loved
Man I was mean but I'm changing my scene
And I'm doing the best that I can (Ooh)

I admit it's getting better (Better)
A little better all the time (It can't get more worse)
Yes I admit it's getting better (Better)
It's getting better since you've been mine
Getting so much better all the time
It's getting better all the time
Better, better, better
It's getting better all the time
Better, better, better
Getting so much better all the time"

...

E ainda assim tanto pra melhorar.
Tanto pra acontecer.
Se você sabe, torça por mim.
Eu agradeço...
Eu tenho que admitir que as coisas estão melhorando...
Mas eu quero mais.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Fear of Sleep

(Mais um que fugiu do NPNB)

Desabafar é realmente limpar a alma.
À medida em que as palavras saem, todo o peso se vai.
É como esvaziar um cesto de lixo: nem tudo jogado lá é realmente nojento ou não pode ser reaproveitado, mas quando colocamos pra fora dá pra dizer que a casa está limpa de novo.

O problema é como o lixo se acumula. Algumas pessoas sabem realmente aproveitar tudo o que tem e só jogam fora aquilo que acham extremamente necessário. Suas sacolas são sempre pequenas e espaçosas e no fim acabam desperdiçando sacolas inteiras por apenas um papel sujo.

Há outras ainda que acabam quase estourando a sacola pra depois colocarem o lixo pra fora. Seja com coisas grandes ou pequenas o fato é que parecem esperar até o lixeiro aparecer na porta uma semana depois para poderem se livrar do que está lá, nos sacos estufados, pesados e muitas vezes com chorume no fundo. Nesse caso o problema é sempre que, se a sacola está atulhada, alguma coisinha sempre cai dela pra ser devolvida ao lixo na semana seguinte.

Mas o mais importante de tudo é tirar o lixo.

E tem pessoas que simplesmente não ligam de mantê-lo ao seu redor. É quase como se não notassem aquela pilha colossal de coisas pra jogar fora; como se não sentissem o cheiro ruim daquilo que não presta mais; como se o espaço livre pudesse ser sempre remanejado. E o tempo passa, passa, passa e no fim a pessoa acaba por se tornar parte daquilo do que não se livrou. Lixo. Fede, não presta, não tem utilidade.

Mas isso não é sobre pessoas.
É sobre lixo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Postal Blowfish

Nós não temos a mesma impressão sobre as coisas.
Nós concordamos, de fato, em muito pouco.
Nós não temos os mesmos olhos.
Nós sabemos, contudo, os que veem melhor (a cor que você vê sempre).
Nós não temos a mesma cor de cabelo, altura, timbre vocal, gosto musical nem nada assim.
Nós completamos um ao outro, entretanto, melhor do que Pepsi e cachorros quentes (ah, o Pistoleiro).
Nós não podemos estar sempre juntos.
Nos fazemos o que podemos com o que temos.

E ainda assim...
Ainda assim...
Você e eu não queremos ficar um segundo sem o outro.
Você e eu nos amamos como ninguém mais.

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Ah, a vida.
Daora ela

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Dakota

São seis da manhã.

Os carros já se movimentam lá fora e os pássaros já começaram a cantar. Não faz frio nem calor e a luz do quarto não é fraca nem forte. O cara coça a cabeça e a barba por alguns segundos e deita na cama.

Mas o sono não vem. Ele não sabe bem o que perdeu, mas sente que perdeu alguma coisa. Ou que algo lhe foi tirado. Ou que alguma coisa no mundo real desandou. Ou que a insônia só está tentando pregar mais uma das suas (desde ontem, afinal).

Deitado na cama ele escuta os "bem te vi's" discutindo acaloradamente. As lombadas dos livros que ele não leu tentam oferecer algum tipo de consolo chamando os olhos e os distraindo. A camiseta ainda é a mesma com a qual ele saiu do banho antes de voltar a trabalhar. A garrafa d'água pela metade parece distante demais...

Distância.

Esse é o problema.

Distância é algo relativo. Não é difícil alguém dizer à pessoa amada olho no olho: "você parece distante...".
Assim como não menos raro é se sentir imediatamente conectado com alguém que está a quilômetros de distância, por amor ou por pura identificação mútua.
E geralmente é fácil arrumar as coisas quando a distância é pequena. Unem-se as mãos, abrem-se os lábios e os ouvidos, engole-se o orgulho e: "ta-dah!". Ei-la, a solução! Mãos dadas, sorrisos, abraços, carinho, compreensão... Tudo volta ao normal. Mas quando a distância é grande... Aí só depende da vontade de fazer o caminho um pouco menor.

...

"Eu não sei aonde nós vamos agora
Só olhe bem pra mim agora"

Dakota - Stereophonics